Para que ninguém possa ver no fundo de mim e da minha última vontade – para isso inventei o longo, luminoso silêncio.
Não falamos um com o outro, porque sabemos coisas demais; silenciamos um com o outro, num mútuo sorriso nos lançamos o nosso saber.
Se este decifrar é lento, posso gastar uma vida toda nisso e então é vantajoso para ti manteres-te em silêncio, porque assim não te conheço e posso tudo imaginar.
Hesitamos em fazer a pergunta porque não queremos ouvir a resposta. Prosseguimos em silêncio.
Então calar: usar
Um silêncio artifício.
Quanto mais os vigiava e ficava à espera, mais me convencia de que, mesmo à falta de qualquer outra prova, o silêncio sistemático de ambos constituía prova suficiente.
Em tempos de silêncio generalizado, conformar-se com a mudez dos outros é certamente culpável.
Debaixo do silêncioeu não sei o que traziam.
Marilá Dardot
[Um pouco de cultura!]
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